Viagem ao planeta Gouke

Os defensores da teoria de Zhang Xiangqian frequentemente promovem o chamado “Experimento de Geração de Campo Gravitacional por Campo Eletromagnético Alternado”. Segundo os proponentes da teoria (e o site oficial criado por colaboradores que traduziram os textos para o inglês), este experimento provaria empiricamente que variações no eletromagnetismo conseguem distorcer o espaço, gerando força gravitacional ou antigravitacional artificial.

O experimento funciona da seguinte forma e baseia-se nos seguintes princípios:

1. O Aparelho Experimental

O teste baseia-se numa montagem com uma bobina dupla e um núcleo de ferro amorfo:

  • Fonte de Alimentação: É utilizada uma corrente alternada (AC) de alta potência (geralmente entre 110V e 230V).
  • As Bobinas: O condutor elétrico (geralmente fio de cobre de 2 mm) é enrolado cerca de 400 vezes à volta de um núcleo.
  • O Núcleo Magnético: Utiliza-se um núcleo toroidal feito de ferro não-cristalino/amorfo (grau 1K107), que possui uma permeabilidade magnética extremamente alta. Este núcleo possui uma pequena abertura (um gap) de cerca de 18 mm.
  • Os Objetos de Teste: No espaço dessa abertura (onde o campo se concentra), são colocados pequenos pedaços de materiais diversos através de pinças não-metálicas.

2. O Fenómeno Observado (A Alegação)

Os defensores de Zhang publicaram vídeos demonstrando que, ao ligar a corrente alternada, diferentes tipos de materiais colocados no meio da abertura começam a mover-se, a vibrar ou a ser repelidos/atraídos.

O argumento central para alegar que isto é “gravidade” baseia-se no facto de o movimento ocorrer em qualquer tipo de material, independentemente de ser condutor ou não. Nos vídeos promocionais, eles demonstram o efeito sobre seis materiais radicalmente distintos:

  1. Pele de porco crua (representando tecido orgânico).
  2. Uma folha verde (matéria vegetal viva).
  3. Pedaços de papel (fibra processada).
  4. Cerâmica (estruturas cristalinas).
  5. Placa de epóxi isolante (feita especificamente para resistir a campos elétricos).
  6. Uma placa de alumínio (metal não-magnético).

Como estes materiais não são ferromagnéticos (não são atraídos por ímanes comuns), os defensores afirmam que a força invisível que os move só pode ser um campo gravitacional artificial gerado pela aceleração do espaço provocada pela bobina.

3. A Explicação da Física Convencional (O Contraditório)

Físicos e revisores independentes que analisaram os vídeos e os esquemas (sobretudo em fóruns e plataformas científicas chinesas como o Zhihu) apontam que o experimento não demonstra gravidade, mas sim efeitos eletromagnéticos e térmicos padrão da física clássica que foram mal interpretados:

  • Efeito de Relaxamento Dielétrico: Materiais isolantes (como papel, cerâmica, epóxi e tecidos orgânicos) possuem cargas elétricas ligadas que se deslocam ligeiramente na presença de um campo elétrico forte. Quando expostos a altas frequências e tensões geradas pela bobina, o campo induz uma polarização nesses materiais, fazendo-os mover-se devido à força eletrostática (eletroforese/dieletroforese), e não devido à gravidade.
  • Antigravidade Aparente (Diamagnetismo): Muitos dos materiais testados (incluindo a água presente na pele de porco e na folha vegetal) são nativamente diamagnéticos. Quando expostos a um campo magnético extremamente concentrado (gerado pelo núcleo amorfo de alta permeabilidade), eles sofrem uma força de repulsão natural.
  • Correntes de Foucault: No caso da placa de alumínio, o campo alternado gera correntes elétricas circulares no metal, criando um campo magnético oposto que resulta em repulsão imediata (Lei de Lenz).
  • Ventos Iónicos e Convecção Térmica: A enorme quantidade de energia dissipada em calor pelas bobinas aquece o ar ao redor rapidamente, gerando pequenas correntes de ar (convecção) e ionização que movem objetos leves como o papel.

Para que o experimento de Zhang fosse validado pela comunidade científica, ele teria de ser realizado dentro de uma câmara de vácuo absoluto (para eliminar o vento térmico), isolado contra forças eletrostáticas e utilizando massas calibradas sob balanças de torção ultra precisas para provar que a atração/repulsão é estritamente proporcional à massa e não às propriedades elétricas ou magnéticas do objeto. Como essas variáveis não são isoladas, o teste permanece classificado como inválido pela ciência convencional.

https://www.facebook.com/reel/1345750370747035

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