
Escrito por Ianick d’Oliveira Fernandes
Não tenho noção do tempo que passei a pensar em escrever um artigo sobre o assunto mais intrigante da minha vida. Há uma expressão inglesa, ‘going down the rabbit hole’, que significa ir fundo na toca do coelho. E encaixa perfeitamente. É realmente difícil escrever sobre um tema tão complexo, confuso e enganador desde o início da história da humanidade.
Existem inúmeras teorias alternativas e personagens do contra que se dedicam a desacreditar experiências humanas e comunicações governamentais, por diversas razões: desde infiltrados na comunidade OVNI com ligações misteriosas até ao simples cidadão com ideias pré-concebidas sobre a sua realidade. Um número significativo de indivíduos da comunidade científica recusa-se ainda a olhar e investigar seriamente o fenómeno.
E há, sem dúvida, um poder antigo e estranho interessado em manter o segredo.
Mas existem também os curiosos, os teimosos, os de mente mais que aberta, que recusam formatar o pensamento por pressão social. Cientistas menos ortodoxos, escritores, jornalistas, historiadores e
investigadores que deixam a chama da curiosidade arder o suficiente para dedicarem à vida a este fenómeno.
Não sei quantos somos, talvez uma minoria, talvez não, mas estamos a crescer. Partimos num pequeno barco, com uma bússola de ouro que ainda não sabemos se funciona, num oceano desconhecido com ondas sem
tamanho.
É assim que entro neste campo. A melhor forma que encontrei para falar deste fenómeno é dar um passo atrás e respeitar o trabalho já feito por vários investigadores da ufologia. Este artigo é uma introdução: para quem acredita ou não, para quem tem curiosidade, para quem procura provas, ou simplesmente sente que há algo estranho a interagir connosco, mas não sabe como falar sobre isso. Apresento aqui cinco livros que funcionam como verdadeiras portas de entrada para este mundo.

In Plain Sight de Ross Coulthart
A minha primeira sugestão é In Plain Sight, do jornalista australiano Ross Coulthart. Foi o primeiro livro de ufologia que li, e foi uma experiência emocional por várias razões. À partida, digo já: este livro é ideal para céticos, e já explico porquê. No início, irritou-me. O autor mostrava tantas dúvidas e uma postura tão desconfiada que cheguei a questionar porque estava a escrever o livro.
Com o tempo, percebi que essa atitude
era precisamente o seu valor. Coulthart começou a investigação convencido de que tudo não passava de aldrabice ou teorias da conspiração, algo que ele próprio admite no livro e em entrevistas. Mas, à medida que avançou, percebeu que havia algo mais.
A Austrália é território fértil em observações de objectos voadores não identificados, e não é irrelevante o facto de ali existirem bases norte-americanas com capacidade nuclear. A ligação entre avistamentos OVNI e bases militares repete-se em todo o mundo.
O autor desmonta, de forma rigorosa, todas as hipóteses alternativas para o que vemos nos céus, eliminando-as uma a uma. Para quem já acredita, como eu, pode ser ligeiramente frustrante, para quem duvida, é perfeito.
A sua abordagem é cética e científica, essencial para não nos perdermos nas nossas próprias crenças. No final, o próprio Coulthart admite: existem coisas inexplicáveis. Um excelente livro para iniciantes ou curiosos.
Actualmente, Coulthart continua a investigação através do canal televisivo NewsNation, onde apresenta actualizações semanais sobre o fenómeno OVNI no nosso planeta.
Imminent de Luis Elizondo

O segundo livro é Imminent, de Luis Elizondo, antigo agente da inteligência do Departamento de Defesa dos EUA e ex-director do programa AATIP/AARO. Elizondo abandonou o cargo por considerar que existiam sérias ameaças à segurança nacional: programas secretos controlados pelo complexo militar-industrial, alegadamente
na posse de tecnologia não humana e material biológico. Este livro mergulha o leitor na cultura OVNI norte-americana e nos acontecimentos mais recentes.
Elizondo foi uma das testemunhas no histórico depoimento público ao Congresso dos EUA em 2024, juntamente com o militar David Grusch, que afirmou a existência de programas secretos e naves não humanas nas mãos de empresas de defesa aeroespacial. Imminent leva-nos directamente ao Pentágono, aos segredos de Estado, a vídeos classificados e a testemunhos reais de que algo extraordinário está a acontecer.
O leitor sai equipado com informação actual e, provavelmente, perplexo por este tema não ser mais debatido, tendo em conta a confirmação oficial de que o fenómeno está a ser estudado cientificamente por governos a nível global. Nomes como Lockheed Martin e AARO surgem como referências importantes para investigação futura. A comunidade OVNI norte-americana divide-se quanto às intenções de Elizondo , alguns chamam-lhe grifter, alguém motivado por interesses financeiros. Ele afirma ser, antes de tudo, um homem de família e de pátria, determinado a expor programas ilegais que, segundo testemunhas, envolveram crimes graves para ocultar tecnologia de outros mundos.
Pela minha parte, parece-me sincero. Se a acção de alguém empurra este tema para a frente, tem o meu apoio, e Elizondo fê-lo com rigor e coerência.

Passport to Magonia de Jacques Vallée
O terceiro livro leva-nos a territórios mais confusos e desconfortáveis. Passport to Magonia, de Jacques F. Vallée, é um clássico absoluto. Vallée (n. 1939, França) é cientista da computação, astrofísico, ex-astrónomo da NASA, investidor e um dos grandes nomes da ufologia. Contribuiu para o primeiro mapeamento computadorizado de Marte e para o desenvolvimento da ARPANET, precursora da Internet.
Uma espécie de génio, e muitas vezes chamado o padrinho da ufologia. Vallée foi inspiração para o cientista francês do filme Close Encounters of the Third Kind, de Steven Spielberg. Em Passport to Magonia, o autor estabelece uma ligação entre avistamentos modernos e relatos antigos de fadas, seres mitológicos e fenómenos medievais. As descrições são surpreendentemente semelhantes, apenas a interpretação muda conforme a época.
O livro é rico em relatos humanos reais. Vallée focou-se sempre no lado humano do fenómeno, entrevistando milhares de pessoas ao longo de décadas. É um livro desafiante, mas essencial para compreender que este fenómeno não é simples, e nunca foi.
UFOs: Generals, Pilots, and Government Officials Go on the Record de Leslie Kean
Em 2017, a jornalista Leslie Kean, em conjunto com Ralph Blumenthal, publicou no The New York Times o artigo Inside the Pentagon’s Secret UFO Program, que abalou a comunicação social mundial. Revelou vídeos da Marinha dos EUA (como o famoso Tic Tac) e confirmou a existência de um programa oficial de estudo de OVNIs.
Leslie Kean é autora de OVNIs: Generais, Pilotos e Oficiais do Governo Prestam Testemunho, um bestseller do New York Times. Trata-se de uma investigação jornalística rigorosa que separa factos de ficção e documenta reacções governamentais a OVNIs reais. Kean analisou centenas de documentos governamentais, relatórios de aviação, dados de radar e entrevistou dezenas de testemunhas de alto nível em todo o mundo.
Num campo onde há um grau elevado de complexidade e distorção de fatos, este livro destaca-se pela sua credibilidade e clareza. Evita saltos especulativos e apoia-se em estudos de caso sólidos e bem documentados.
Leslie Kean defende, e exige, uma abordagem mais honesta, realista e rigorosa ao fenómeno OVNI. Um livro para leitores de mente aberta, mas com os pés bem assentes no chão.

Bónus: UFOS over África, de Cynthia Hind
Deixo um bónus, porque o meu sangue angolano não aceitaria escrever sobre ufologia sem olhar para África.
Cynthia Hind publicou UFOs Over Africa em 1997. Residente no Zimbabué, foi coordenadora da MUFON para África e uma das investigadoras mais respeitadas do continente. Investigou casos no Zimbabué, Zâmbia, Moçambique, Botswana, Quénia e outros países. Foi a primeira investigadora no local do famoso caso da Ariel School (1994), onde dezenas de crianças relataram um encontro OVNI. O livro inclui desenhos feitos pelas próprias crianças.
Hind dedicou décadas à investigação e destacou um ponto crucial: em várias culturas africanas, os avistamentos são interpretados como antepassados, espíritos ou fantasmas no céu, porque o conceito de “OVNI” simplesmente não existe. Para compreender o fenómeno, é essencial respeitar o contexto cultural. Ao escrever estas palavras sinto que seja importante reconhecer o trabalho de Cynthia Hind e o fenómeno OVNI em África.
Uma forma maravilhosa de explorar a ligação entre tradição, espiritualidade e observação contemporânea.
Últimas palavras
As sugestões apresentadas são apenas a ponta do iceberg deste fenómeno complexo e fascinante. Antes de darmos o primeiro passo rumo ao desconhecido, é importante deixar de lado ideias pré-concebidas. Muitas vezes, as nossas barreiras analíticas impedem-nos de mergulhar em histórias magníficas e deslumbrantes. Ago
magico acontece há milhares de anos, e neste exato momento, seguimos esse tema com o lembrete que o impossível atrai os sonhos mais rebeldes, típicos do ser humano.
Por Ianick d’Oliveira Fernandes

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